Como uma parente da água-viva mudou o que sabemos sobre o desenvolvimento humano
Você e uma anêmona-do-mar têm mais em comum do que parece. Não se trata de uma relação distante, mas de algo que vai até a base molecular que constrói nossos corpos.
O que torna as anêmonas tão diferentes
Anêmonas são criaturas simples. Não têm cérebro nem sistema nervoso. Seu corpo cresce de forma radial, como uma flor ou uma roda. Não existe uma "cabeça" clara, nem frente ou verso definidos. Já nós, humanos, temos eixos bem marcados: frente e atrás, cima e baixo, esquerda e direita. Somos bilateralmente simétricos, com cérebro e órgãos organizados em lados opostos.
Por isso, por muitos anos, os cientistas achavam que mecanismos complexos de formação corporal só existiam em animais como nós.
BMP: o sistema de mensagens moleculares
Durante o desenvolvimento do embrião, as células precisam de instruções. Elas precisam saber onde estão e o que devem virar. É aí que entram as proteínas morfogenéticas ósseas, ou BMPs. Elas funcionam como mensagens químicas que indicam posição e destino. Altas concentrações em uma região formam pele ventral. Níveis médios ajudam na formação dos rins. Concentrações baixas abrem espaço para o sistema nervoso.
Quem controla essa distribuição é outra molécula, chamada Chordin. Ela age como um regulador, criando zonas com diferentes níveis de BMP. É como um GPS biológico que guia a formação dos tecidos.
A descoberta que surpreendeu os cientistas
Durante muito tempo, acreditava-se que esse sistema de controle por BMP só existia em animais bilateralmente simétricos. Parecia lógico: corpos mais complexos exigiriam mecanismos mais sofisticados.
Mas pesquisadores da Universidade de Viena descobriram que anêmonas-do-mar também usam o mesmo sistema. Elas têm Chordin agindo como transportador de BMP, exatamente como acontece em humanos, moscas e sapos. Mesmo com corpos tão diferentes e caminhos evolutivos tão distintos, a ferramenta molecular é a mesma.
O que isso muda
Como anêmonas e animais bilaterais compartilham esse mecanismo, é provável que ele tenha surgido antes da separação desses grupos. Isso leva a data para cerca de 600 a 700 milhões de anos atrás. O sistema de controle por BMP não é uma inovação recente. É uma das bases mais antigas da construção corporal nos animais.
A questão que ainda não foi resolvida
Ainda não se sabe se a simetria bilateral surgiu uma vez, em um ancestral comum,还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是还是 ainda não se sabe se a simetria bilateral surgiu uma vez, em um ancestral comum, ou se surgiu várias vezes, independentemente. Segundo o pesquisador David Mörsdorf, é difícil descartar a possibilidade de evolução independente. Mas se o ancestral comum já possuía esse sistema e já era bilateral, a história da evolução animal muda.
Por que isso interessa
Entender como antigos são os mecanismos que formam nosso corpo nos ajuda a ler nossa própria história evolutiva. E descobrir que uma criatura sem cérebro, que existe há centenas de milhões de anos e que parece nada com nós, usa o mesmo manual de construção? Isso mostra que, apesar da nossa complexidade, usamos ferramentas biológicas que a evolução já usou muito antes de nós.