O universo esconde bem seus segredos — e os astrônomos estão surtando
Vou ser sincero: adoro quando uma descoberta espacial faz os cientistas chegarem e falarem "espera, isso não deveria ser possível".
Pois é exatamente isso que está acontecendo agora com um estudo publicado na Nature Astronomy. Não consigo parar de pensar no assunto.
Quando você acha que já entendeu tudo...
Imagina o seguinte: você está olhando para o céu noturno e encontra uma galáxia massiva — uma das grandes do universo jovem, algo que se formou quando o cosmos ainda era um bebezinho, menos de 1,5 bilhão de anos depois do Big Bang. Você faz seus cálculos, estima quantas estrelas ela tem e se sente bem confiante.
Só que... você estava completamente errado.
É basicamente isso que aconteceu com astrônomos usando o Telescópio Espacial James Webb (JWST). Eles examinaram nove galáxias antigas e enormes que já tinham parado de formar novas estrelas bilhões de anos atrás. Quando foram analisar os dados com mais cuidado, descobriram algo que estava ali o tempo todo: uma população escondida de estrelinhas pequenas e fracas que simplesmente eram invisíveis para as observações anteriores.
E não eram só algumas estrelas escondidas. Estamos falando de uma quantidade significativamente maior de massa guardada nessas estrelas discretas.
É como descobrir cômodos secretos em um arranha-céu
A equipe de pesquisa, que incluía cientistas da Penn State e da Universidade de Leiden, explicou de um jeito muito legal. A pesquisadora principal Chloe Cheng comparou as estrelas brilhantes a arranha-céus em uma cidade — eles são impossíveis de ignorar, são chamativos, dominam a vista.
"Mas aqui está o ponto", ela explicou. "Entre esses arranha-céus existem toneladas de casas, prédios de apartamento, todos os tipos de estruturas menores que você não consegue ver de longe. É exatamente isso que estava acontecendo com essas galáxias."
As estrelas brilhantes e massivas estavam roubando toda a atenção (e toda a luz), enquanto incontáveis estrelas menores se escondiam entre elas, completamente ignoradas. Quando os pesquisadores levaram em conta essas populações escondidas, as galáxias de repente ficaram até quatro vezes mais massivas do que as estimativas anteriores.
O Dr. Joel Leja, da Penn State, resumiu assim: "Essas galáxias são diferentes... elas têm três ou quatro vezes mais massa do que esperávamos."
Sim, apenas assim, três a quatro vezes mais. Sem querer assustar ninguém. (Risada nervosa aqui.)
Por que isso é tão importante?
É aqui que as coisas ficam genuinamente empolgantes — e um pouco desconfortáveis para a astrofísica.
A gente tinha modelos e teorias sobre como as galáxias se formam e evoluem. Esses modelos assumiam que, em todo o universo, as estrelas se formavam em proporções mais ou menos parecidas em todos os lugares. Estrelas pequenas, estrelas grandes — a proporção deveria ser bem consistente.
Só que o JWST não para de provar que isso não é verdade.
Desde que o JWST começou a observar, os astrônomos têm encontrado repetidamente galáxias surpreendentemente massivas e maduras existindo muito antes do que nossas teorias previam. Esse novo estudo joga mais lenha nessa fogueira. Se galáxias como essas continham muito mais estrelas do que os pesquisadores estimavam antes, precisamos repensar completamente como um número tão enorme de estrelas pode ter se formado tão rapidamente na história cósmica.
O universo, ao que tudo indica, era muito mais eficiente em construir cidades estelares do que jamais imaginamos.
Um bônus inesperado: mais planetas?
Aqui vai algo que me fez soltar um gritinho: essa descoberta pode significar que havia mais planetas no universo jovem do que pensávamos também.
Por quê? Porque estrelas pequenas e de baixa massa tendem a ter sistemas planetários. Muitos deles. Então, se havia mais dessas estrelinhas fracas flutuando pelo universo jovem do que percebíamos... você faz as contas.
A professora Mariska Kriek, do Observatório de Leiden, que liderou a pesquisa, observou que esse resultado tem consequências em várias áreas da astronomia. "Como muitos planetas orbitam estrelas de baixa massa, isso pode até indicar que mais planetas se formaram no universo jovem do que assumíamos anteriormente."
Imagina só — não só estrelas escondidas, mas potencialmente mundos escondidos. Bilhões de anos atrás, em galáxias que achávamos que entendíamos.
O que vem a seguir?
A equipe está chamando isso de um passo crucial para frente, mas também reconhece quanto trabalho ainda falta pela frente. "Até recentemente, medições assim eram simplesmente impossíveis", disse Martje Slob, candidata a doutora na Universidade de Leiden e coautora do estudo. Eles precisavam não só de um telescópio potente, mas de espectros excepcionais e novas técnicas de análise para detectar essas assinaturas sutis de estrelas fracas e de baixa massa escondidas dentro de titãs cósmicos.
Agora que sabemos que essas populações escondidas existem, os astrônomos vão precisar atualizar seus modelos. As teorias de formação de galáxias vão ter que explicar como o universo aparentemente empacotou tantas estrelas em estruturas tão antigas.
E pessoalmente? Estou adorando esse tipo de surpresa cósmica. Toda vez que constuímos ferramentas melhores e olhamos mais fundo no espaço, descobrimos que o universo é mais estranho, mais maravilhoso e mais surpreendente do que jamais imaginamos.
O universo jovem não era apenas mais massivo do que pensávamos — ele estava escondendo seu tamanho real de nós o tempo todo.
Fonte: ScienceDaily