Science & Technology
← Home
Navios Fantasmas Abandonados no Alasca: O Que Mergulhadores Encontraram no Gelo do Mar de Bering

Navios Fantasmas Abandonados no Alasca: O Que Mergulhadores Encontraram no Gelo do Mar de Bering

2026-05-06T12:06:01.680890+00:00

Dois Naufrágios. Duas Histórias. Uma Batalha Esquecida.

Todo mundo associa a Segunda Guerra Mundial à Europa: o Dia D, os ataques alemães, a queda de Berlim. Mas poucos sabem de um confronto feroz e sangrento que rolou no Alasca. Isolado, gelado e longe dos holofotes, esse episódio sumiu da memória coletiva.

O cerco de três semanas à ilha de Attu, em 1943, não deixou só sepulturas e lembranças. Deixou relíquias no fundo do mar.

A Descoberta nas Profundezas

Um grupo de cientistas mergulhou nos destroços submersos perto de Attu. Com sonar, drones aquáticos e arquivos antigos, mapearam dois navios perdidos no tempo. O trabalho saiu na revista Heritage, e é impressionante.

Não foi só achar ferro enferrujado. Eles capturaram fotos nítidas e dados de embarcações japonesa e americana, cada uma com sua narrativa única da guerra.

O Navio Japonês: Alvo Perfeito

Comece pelo Kotohira Maru, um cargueiro japonês de 1918, movido a carvão. Levava madeira, combustível e mantimentos para as tropas em Attu, no fim de 1942.

Dia 5 de janeiro de 1943, de manhã, ele se aproximava de Holtz Bay, base japonesa na ilha. Um avião americano o avistou. Bombardeiros B-24 atacaram logo em seguida.

Uma bomba de 227 quilos acertou o prow. O navio afundou a 90 metros de profundidade. Os 30 a 50 tripulantes morreram no ato.

Hoje, o wreck está inteiro, de pé no leito marinho. Dá pra ver o rombo na proa, as escotilhas de carga e até a máquina a vapor. É um portal para aquele instante fatal.

O Navio Americano: Acidente Pós-Batalha

A SS Dellwood tem trama oposta. Construída em 1919 para instalar cabos submarinos, virou nave da Marinha dos EUA logo após Pearl Harbor. Fazia rotas de Seattle a bases no Alasca.

Chegou a Attu em julho de 1943, após a vitória americana. Missão: ligar o quartel-general a um aeroporto em ilha vizinha por cabo. Parecia simples.

Mas uma rocha submersa e não mapeada, perto de Alexai Point, mudou tudo. O impacto foi devastador. Tentaram resgatar, sem sucesso. Removeram equipamentos úteis, e o navio foi a 35 metros de fundo.

Os pesquisadores acharam o que sobrou: esmagado de propósito anos depois, para limpar o porto. Só restam os mecanismos de cabos espalhados, identificando o que foi.

Por Que Esses Destroços Importam

Nenhum dos dois entrou em combate na Batalha de Attu. Ainda assim, simbolizam o drama maior.

Japoneses tomaram Attu e Kiska em junho de 1942, expulsando os unangans, povo indígena local há milênios. O Kotohira Maru evoca a invasão e o deslocamento. Já o Dellwood marca a ocupação americana que impediu o retorno dos nativos.

São provas concretas de uma guerra em solo americano — ou território, pelo menos — que varreu uma população inteira. E a maioria dos americanos ignora isso.

O Contexto Maior

Essa pesquisa integra um projeto para registrar o patrimônio subaquático da Segunda Guerra no Alasca. Cria um arquivo de sítios culturais no mar, ajudando gerações futuras a compreender um dos fronts mais remotos e cruéis.

A campanha das Aleutas foi brutal. Milhares de soldados encararam frio extremo em ilhas vazias do Mar de Bering. Americanos sofreram em condições únicas na guerra. Mas o episódio some da história popular.

Esses naufrágios são como marco inicial e final dessa saga: suprimentos para a luta, infraestrutura para a vitória. Mostram que a história nem sempre está onde esperamos. Às vezes, exige mergulho a 90 metros no Bering.

Coisa fascinante, né?

#world war ii history #archaeology #shipwrecks #alaska history #bering sea #underwater discovery #military heritage #attu island