Quando o ser humano pegou no cinzel pela primeira vez
Uma descoberta recente está a mudar o que pensávamos sobre os nossos antepassados. Ferramentas de madeira com 430 mil anos foram encontradas em bom estado. Não eram paus atirados ao acaso. Eram objetos trabalhados com intenção.
A notícia saiu na revista PNAS e obriga-nos a rever algumas ideias antigas sobre o comportamento humano no Paleolítico.
Madeira que não apodreceu
A madeira desaparece depressa. Ao contrário da pedra, quase nunca resiste ao tempo. Por isso, encontrar dois utensílios de madeira tão antigos é raro. Um foi feito de amieiro, o outro de salgueiro ou choupo. Ambos mostram marcas claras de cortes e raspagens.
O sítio fica na Grécia, em Marathousa 1. As condições do solo ajudaram a conservar o material. Sem elas, nada teria chegado até nós.
Um projeto, não um acidente
As marcas não resultam de ramos partidos ao acaso. Alguém planeou o formato. Os vestígios de uso sugerem que serviam para escavar terra mole junto a um lago antigo ou para retirar casca de árvores. Havia um problema e uma solução pensada.
Isso mostra que, há mais de 400 mil anos, os humanos já não se limitavam a sobreviver. Começavam a resolver problemas com ferramentas feitas por medida.
Ursos e elefantes por perto
No mesmo local apareceram ossos de elefante e outras presas. Também se encontraram riscos profundos feitos por um grande carnívoro, talvez um urso. Os humanos trabalhavam madeira enquanto animais perigosos andavam à volta. Não era um ambiente calmo.
O calendário atrasado
Até agora, as ferramentas de madeira mais antigas que conhecíamos tinham cerca de 40 mil anos a menos. Este achado empurra a data para trás e mostra que o domínio da madeira já existia no Médio Pleistocénico. Nessa altura, os humanos já planeavam tarefas e escolhiam materiais com critério.
O achado é também o primeiro deste tipo no sudeste da Europa. Sugere que o conhecimento não estava concentrado num único ponto, mas espalhava-se por diferentes regiões.
O que realmente mudou
Estes objetos recordam-nos que a engenhosidade humana não começou com a escrita ou com as cidades. Começou muito antes, quando alguém decidiu dar forma a um pedaço de madeira para resolver um problema concreto. E isso merece respeito.