As Pessoas Que Nunca Esquecem
Acordar amanhã e lembrar de cada conversa, cada refeição e até do momento mais banal de hoje parece algo fora da realidade. Para cerca de 100 pessoas no mundo, porém, isso é exatamente o que acontece. Elas têm uma memória autobiográfica altamente superior, conhecida como HSAM.
Essa capacidade impressionante traz um peso: elas também não conseguem esquecer as coisas ruins. Momentos constrangedores, dores antigas e até tardes comuns ficam gravados de forma clara e permanente.
O que acontece no cérebro delas?
O mais curioso é que essas pessoas não são necessariamente mais inteligentes. Elas não prestam mais atenção durante o dia nem usam truques especiais para guardar informações. O diferencial aparece durante a noite.
Um estudo recente da Texas State University e da Northwestern University acompanhou o sono de nove pessoas com HSAM e comparou com treze voluntários comuns. Os pesquisadores monitoraram a atividade cerebral durante duas noites inteiras.
Os fusos do sono
Durante o sono profundo, o cérebro trabalha para consolidar memórias. Ele transforma lembranças temporárias em armazenamento de longo prazo.
O estudo mostrou que as pessoas com HSAM têm muito mais "fusos do sono", pequenos surtos de atividade elétrica que ocorrem no sono profundo. Esses fusos ajudam a mover informações para a memória permanente. E, nelas, esses processos são mais intensos especialmente na região do córtex parietal, ligada à recordação vividamente.
Um sincronismo melhorado
Além de terem mais fusos, essas pessoas também têm um alinhamento mais preciso entre os fusos e as lentas ondas do cérebro. É como se o processo de transferência de memórias fosse mais ativo e bem coordenado.
Em cérebros comuns, esses processos aconte menos e não são tão sincronizados. Em pessoas com HSAM, tudo funciona com mais eficiência.
O lado difícil
Apesar dos benefícios aparatos, a HSAM não é sempre vantajosa. Uma mulher que tem a condição revelou em entrevista que a fita continua a correr e não permite esquecer o doloroso. Alguns com a mesma condição descrevem a sensação de estar presos em uma cápsula do tempo com todos os detalhes.
Isso mostra que o esquecimento, muitas vezes visto como falha, é na verdade um recurso útil. Ele permite que wirenome, move-se e abandone o passado.
E agora?
O estudo não busca criar uma "pílula" para melhorar a memória de todos. Mas entender o mecanismo desses fusos pode abrir caminhos para ajudar pessoas com problemas de memória. Talvez possa também nos ajudar a compreender como algumas pessoas desenvolvem memórias mais fortes.
Para a maioria de nós, o processo que abrange a memória durante o sono ajuda a filtrar o que não queremos lembrar para sempre.