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Peraí, a História Esqueceu Três Reis Assírios?

Peraí, a História Esqueceu Três Reis Assírios?

2026-08-26T09:29:28.359812+00:00

A História Também Tem Suas Censuras

Você já ouviu aquela frase de que a história é escrita pelos vencedores? Pois bem, um estudo recente mostrou como isso pode ser literalmente verdade.

Dois pesquisadores publicaram descobertas sugerindo que a Lista Real Assíria — usada por mais de um século como referência sobre os governantes da Assíria — provavelmente deixou de fora pelo menos três reis. E o mais curioso: tudo indica que essa exclusão foi intencional.

Estamos falando de uma das maiores potências do mundo antigo reescrevendo sua própria história. Sem fontes, sem revisores. Só o resultado final.

O Golpe da Eclipse

Vou te contar sobre o primeiro "rei fantasma", porque a história dele é incrível.

Há indícios de que alguém chamado Teglate-Fassalar — nome já usado por um rei anterior e muito famoso — tentou derrubar o governante oficial, Aššur-dān III. Mas esse não foi um golpe qualquer. Aconteceu logo depois de um eclipse solar.

No mundo antigo, eventos celestiais não eram só espetáculo. Eram presságios espirituais. Um eclipse seria interpretado como mensagem divina. Momento perfeito para alguém alegar que os deuses estavam do seu lado.

Esse Teglate-Fassalar rivais governou por cerca de um ano (por volta de 763-762 a.C.) antes de ser deposto. A prova? Uma tábua de argila no Museu Britânico que registra concessões reais feitas durante o período dele. Então ele realmente governou. Mas a Lista Real oficial? Silêncio absoluto.

Afinal, Aššur-dān III foi o "vencedor". E como sempre, quem vence, escreve a história.

Uma Estátua Sem Cabeça

O segundo caso é pura investigação arqueológica.

Os pesquisadores analisaram uma estela descoberta no Iraque em 1894. O nome de um rei havia sido raspado e substituído pelo de Teglate-Fassalar III. Por mais de cem anos, estudiosos tentaram entender o que aconteceu.

Edmonds e Frahm têm uma explicação simples: existiu um rei chamado Salmaneser que governou pouco antes de Teglate-Fassalar III assumir o poder em 745 a.C. Quando Teglate-Fassalar consolidou seu domínio, ele simplesmente decidiu: "Esse cara antes de mim não conta." E assim, um rei desapareceu dos registros oficiais.

O terceiro caso é o mais perturbador. Trata-se de um governante chamado Aššur-uballiṭ. Um texto do rei Tukulti-Ninurta II menciona um vaso ritual restaurado por esse Aššur-uballiṭ. Só que a Lista Real não mostra nenhum rei com esse nome entre Tukulti-Ninurta I e Tukulti-Ninurta II.

Para completar, foi encontrada uma estátua danificada na antiga cidade de Aššur. A figura real aparece sem cabeça, sem braços e sem os símbolos de poder.

Os pesquisadores sugerem que esse rei sem cabeça pode ser justamente o nosso esquecido Aššur-uballiṭ.

Não quero exagerar, mas... tanta destruição assim numa única estátua faz a gente pensar, né? Talvez alguém tivesse mesmo muita vontade de apagar esse cara da existência.

O Que Isso Muda?

O que mais me fez refletir sobre esse estudo foi a interpretação dos pesquisadores.

Eles sugerem que a Lista Real Assíria nunca foi meant to be um registro histórico objetivo. Funcionava mais como um "cânone de legitimação" — uma lista de reis cuja governo tinha aprovação oficial do Estado.

Se você foi um governante de curta duração, um candidato rival, ou alguém que perdeu uma disputa pelo poder, você não entrava na lista. Sua administração pode ter funcionado por meses ou até anos. Mas se você não pertencia à linhagem certa ou à facção política correta? Pronto. Apagado da história.

Isso muda como vemos as fontes antigas. Costumamos tratar listas de reis como registros confiáveis e imparciais. Mas elas foram criadas por pessoas com interesses políticos, como tudo.

O Quadro Geral

Não sou assiriólogo — são os especialistas em Mesopotâmia antiga. Mas o que me吸引 aqui é o lembrete de que história não é apenas "o que aconteceu". É também sobre quem conta a história e por que algumas informações sobrevivem enquanto outras são... convenientemente esquecidas.

O Império Assírio foi uma das superpotências do mundo antigo. Construíram redes de estradas, desenvolveram sistemas administrativos sofisticados, criaram arte e arquitetura impressionantes. Ainda usamos o termo "assírio" hoje para descrever certos tipos de estrutura organizacional.

E mesmo assim, para uma civilização tão bem documentada, ainda há muito que não sabemos — ou melhor, que alguém quis que nós não soubéssemos.

O que Edmonds e Frahm fizeram foi nos dar uma olhada nos bastidores do poder antigo. Eles mostram que disputas políticas, legitimidade e memória histórica eram tão importantes em 700 a.C. quanto são hoje.

Da próxima vez que alguém disser que a história é objetiva, talvez valha a pena mencionar os três reis apagados da Lista Real Assíria. Algumas coisas nunca mudam.


Fonte: ScienceDaily — Estudo "Three New Kings of Assyria" publicado no Journal of Cuneiform Studies

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