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Por Que as Pessoas Escalam Sem Cordas? Nem os Psicólogos Sabem Explicar

Por Que as Pessoas Escalam Sem Cordas? Nem os Psicólogos Sabem Explicar

2026-07-08T07:59:45.543665+00:00

Escalada Sem Corda: Loucura ou Arte?

Vou ser sincero: quando fiquei sabendo que o Alex Honnold pretendia escalar o Taipei 101 sem equipamentos de segurança, minha reação foi um misto de admiração e pavor. Talvez os dois ao mesmo tempo.

Se você não conhece a escalada livre sem corda, imagine subir uma parede tão alta que só de pensar suas mãos já suam — só que sem corda. Sem Arnês. Sem rede de proteção. Só você, a rocha (ou prédio, nesse caso) e a gravidade esperando pacientemente você cometer um pequeno erro.

Os Números Que Impressionam

Algo que ficou na minha cabeça depois de pesquisar sobre esse mundo: acidentes na escalada livre sem corda são quase sempre fatais. Não às vezes. Quase sempre.

Pense nisso por um momento.

Só as Flatirons, em Boulder, Colorado, registraram 33 mortes desde os anos 1950. Trinta e três. Isso não é apenas uma estatística — são pessoas reais. Com sonhos. Com famílias. E que provavelmente acreditaram, até o último instante, que eram habilidosas o bastante para vencer as probabilidades.

E aqui está o que mais me incomoda: esses não eram escaladores descuidados. Os acidentes acontecem porque eles perdem o foco. Só por um segundo. Um único momento de distração. E é tudo que basta quando não existe nada entre você e o chão além de ar.

Por Que Alguém Faria Isso?

Essa é a pergunta que me tira o sono.

A comunidade de escaladores livres sem corda é minúscula. Alguns praticam de vez em quando, mas pouquíssimos se dedicam de verdade. Para eles, não se trata de imprudência — é algo mais profundo.

Alguns dizem que escalar sem corda os conecta com a natureza de um jeito que nada mais consegue. Sem equipamento, sem cordas, você é forçado a estar completamente presente. Cada apoio de mão importa. Cada posicionamento do pé é vida ou morte. Não sobra espaço para pensamentos dispersos sobre o jantar ou aquele e-mail esquecido.

Outros falam sobre a escalada como uma forma de lidar com a saúde mental. A concentração necessária não deixa espaço para ansiedade ou depressão — pelo menos durante a subida. Um escalador descreveu como "a melhor terapia" para acalmar uma mente agitada.

E tem quem faça simplesmente para enfrentar o próprio medo. Para provar a si mesmo que consegue olhar o terror de frente e continuar em frente.

A Controvérsia Que Ninguém Comenta

Aqui é onde meus sentimentos se complicam.

Quando a Netflix lançou "Free Solo", o documentário sobre a histórica escalada de Honnold no El Capitan, aconteceu algo como uma renaissance da escalada sem corda. De repente, todo mundo queria tentar. Vídeos viralizaram. Escaladores que nunca tinham feito uma escalada livre sem corda começaram a postar suas próprias subidas sem proteção.

E pessoas morreram.

Críticos — tanto de dentro quanto de fora da comunidade — argumentam que divulgar esses feitos glamourizam algo inerentemente mortal. Eles não estão errados. Quando você transforma a escalada sem corda em entretenimento, arrisca inspirar cópias de pessoas que não possuem a habilidade, o treinamento ou o preparo mental de alguém como Honnold.

Por outro lado, a escalada sem corda não é novidade. Existe desde o nascimento da escalada no final dos anos 1800. Proibir a cobertura não impede as pessoas de fazerem — só significa que elas fazem sem a educação sobre segurança que poderia vir do debate na comunidade.

Não tenho uma resposta simples aqui. Só acho que vale reconhecer que cada vídeo viral carrega uma responsabilidade que nem sempre consideramos.

A Arte Do Foco Absoluto

O que mais me fascina na escalada sem corda não é o desafio físico — é o mental.

Honnold já falou sobre como ele se prepara para uma escalada. Ele memoriza cada apoio de mão e cada apoio de pé. Visualiza a rota inteira, repetidamente, até conseguir escalar de olhos fechados. Depois, quando está na parede, entra num estado de foco absoluto onde nada existe além do próximo movimento.

Isso é algo que todos nós poderíamos aprender.

Quantas vezes nos aproximamos dos nossos desafios diários com esse nível de presença? Quando foi a última vez que você ficou tão focado no que estava fazendo que tudo o mais simplesmente... desapareceu?

Escaladores sem corda dominaram algo que a maioria de nós passa a vida inteira procurando: a capacidade de estar completamente presente.

Vivendo Em Tempo Emprestado?

Existe uma verdade desconfortável pairando sobre a comunidade de escaladores sem corda: eles estão jogando um jogo que não podem vencer para sempre.

Estatisticamente, quanto mais você escala sem corda, maior a chance de eventualmente cometer aquele erro fatal. Seres humanos não são projetados para a perfeição. Ficamos cansados. Nos distraímos. Temos dias ruins.

E mesmo assim, os escaladores continuam subindo.

Talvez esse seja o ponto. Talvez a vida seja sobre fazer coisas que importam, mesmo quando — especialmente quando — nos assustam. Talvez o risco seja o que torna tudo significativo.

O Que Você Acha?

Vou ser honesto: não consigo imaginar escalada sem corda em nada além de uma escada. Só de pensar meu estômago revira.

Mas consigo respeitar a dedicação, a habilidade e a disciplina mental que esses escaladores possuem. E acho que vale refletir sobre a disposição deles de encarar a morte de frente em busca de algo maior.

Da próxima vez que enfrentar um desafio que te assusta, lembre-se dos escaladores sem corda. Lembre-se de que o medo não precisa ser um muro — pode ser uma porta.

Agora, se me dão licença, preciso ir abraçar meu arnês. E talvez adotar um hobby seguro, completamente dependente de cordas, como... sei lá... colecionar selos?

O que você pensa sobre escalada sem corda? É arte, esporte, loucura — ou algo no meio disso tudo? Adoraria ouvir sua opinião nos comentários abaixo.

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