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Sol quebra recorde de silêncio no rádio e intriga cientistas

Sol quebra recorde de silêncio no rádio e intriga cientistas

2026-05-23T14:47:32.899625+00:00

Quando o Sol resolve falar (e não para)

Imagine alguém tocando sua campainha sem tirar o dedo do botão. Foi exatamente isso que os cientistas da NASA sentiram em agosto passado: um sinal de rádio vindo do Sol que simplesmente não queria calar.

Surtos de rádio solares são comuns. Duram horas, no máximo alguns dias, e depois somem. Ninguém se espanta mais. Mas esse durou dezenove dias seguidos. O recorde anterior era de cinco. Quase quatro vezes mais.

Um sinal que não deveria existir

O fenômeno se chama “explosão de rádio tipo IV”. Ele acontece quando elétrons de alta energia ficam presos nos campos magnéticos do Sol, soltando ondas de rádio enquanto giram. Algo parecido com um pinball cósmico.

Dessa vez, porém, o jogo durou quase três semanas. Os pesquisadores ficaram surpresos. Não era um ruído qualquer — era um recorde.

Por que isso importa

O sinal em si não chega até nós. A atmosfera bloqueia. Mas ele pode indicar que algo mais grave está acontecendo. As mesmas condições magnéticas que criam esses surtos também podem lançar ejeções de massa coronal — nuvens gigantes de partículas carregadas que viajam pelo espaço e ameaçam satélites, redes elétricas e naves.

Por isso os cientistas tratam o assunto com atenção. É como um alarme solar.

Várias naves, um só Sol

Para entender o que estava acontecendo, a NASA reuniu quatro observatórios: Parker Solar Probe, sonda Wind, Solar Orbiter e STEREO. Cada um via o Sol de um ângulo diferente. Como o Sol gira, as naves revezaram a observação ao longo dos dezenove dias.

Juntando os dados, ficou mais fácil acompanhar o sinal inteiro.

A origem do problema

Usando imagens da STEREO, a equipe rastreou o sinal até uma estrutura magnética gigante na coroa solar, chamada “streamer de capacete”. É como uma bolha magnética presa à superfície do Sol.

Mas o motivo da duração longa parece ser outro: três ejeções de massa coronal saíram da mesma região, uma atrás da outra. Cada uma alimentou o sinal de rádio, mantendo-o vivo por mais tempo.

O que muda com essa descoberta

O estudo saiu na Astrophysical Journal Letters. O principal ganho é prático: entender melhor esses surtos longos ajuda a prever tempestades solares com mais antecedência.

Satélites de GPS, comunicação e clima sofrem com essas tempestades. Astronautas também. E redes elétricas em terra podem ser afetadas. Quanto mais cedo soubermos que algo está vindo, melhor.

Ainda há muito a aprender

O Sol nos cerca desde sempre, mas continua nos surpreendendo. Um fenômeno que dura quase quatro vezes mais que o recorde anterior mostra que ainda conhecemos pouco sobre a estrela mais importante do nosso sistema.

É um lembrete simples: por maior que seja nosso equipamento, a natureza sempre pode ter uma carta na manga.

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